Entrevista com DJ Mora

Entrevista com DJ Mora

Primeiramente muito obrigado pela atenção e pela entrevista e muito mais sucesso para você.

Brave: Quando surgiu a paixão pela profissão de DJ e começou a tocar?

Em 1994 comecei a freqüentar baladas e prestar atenção no trabalho dos djs, sempre fui curioso com equipamentos de som e achei o máximo ter a possibilidade de animar a galera que está na pista. Depois disso não parei mais e fui comprando equipamentos e sempre de olho nos djs. No mesmo ano, comecei a fazer os aniversários dos amigos e algumas festas na minha cidade, Sorocaba.

Brave: Você sempre teve como profissão ser DJ ou fazia algo em paralelo?

Alem de ser DJ eu tinha uma empresa de Som e Luz, as vezes tinha eventos que eu não tocava, mas estava lá para cuidar do equipamento. Sou formado em Publicidade, mas nunca trabalhei em agência ou algo do ramo, uso o que aprendi para meu marketing pessoal. Nada como deixar a mãe feliz com um diploma, na época DJ não era uma profissão e também não era reconhecido como nos dias de hoje.

Brave: Você tem algum DJ como referência?

Em uma viagem para Londres voltei completamente apaixonado pelo PROGRESSIVE HOUSE e na época os reis do progressive eram Sasha, Digweed e Timo Mass. Aqui no Brasil sempre tive muita admiração pelo Carlo Dallanese, ele sempre foi um DJ cheio de lançamentos e novidades, queria sempre vê-lo tocando. O estilo de música e mixagem dele sempre foram o estilo que eu busquei.

Brave: O que você acha do Brasil para a música eletrônica? É diferente de tocar no exterior?

O Brasil é um lugar maravilhoso de tocar, as pessoas aqui tem uma vibração que é difícil de ver em outros lugares do mundo. Hoje em dia não existe um DJ no mundo que não goste de tocar por aqui, hoje é um dos lugares mais queridos para tocar.

Brave: Como surgiu a idéia do Live Áudio Visual que você toca em parceria com o DJ Naccarati, Vj Axell e com a cantora Sady Medeiros?

Depois de eu ver um show do Daft Punk tive uma conversa com o Axell, estávamos pensando em algo diferente do convencional. Foi dai que ele falou que dava para fazer algo do estilo , com a união entre imagem e som. Nosso Live tem audio-visuais marcantes, colocamos os edit’s de vídeos com audio de verdade e isso deixa a pista sem entender como aquilo funciona. Nós estamos bem felizes com a repercução do Live, estamos fazendo direto pelo Brasil e tem sido sempre legal para nós e para o público!

Brave: Qual a diferença de tocar sozinho e com o DJ Naccarati?

Nacca sempre foi meu parceiro, meu irmão mesmo. Tocar junto tem sempre a empolgação de estar com um super DJ, além de tudo amigo. O melhor é que hoje em dia cada um tem seu estilo e essa união fica bem diferente quando estamos tocando juntos.

Brave: Qual a importância de ser DJ e ao mesmo tempo produtor?

Uma coisa puxa a outra, produção é importante porque você pode ter músicas e remixes que ninguém tem, além de sua música poder chegar antes que você em alguns lugares distantes. Hoje em dia nossa música é tocada no mundo todo, a internet nos ajudou muito.

Brave: Está com algum projeto novo?

O estúdio esta a todo vapor, estamos sempre com novas ideias! Temos algumas músicas que ainda não foram lançadas, inclusive no mês de junho iremos lançar uma track nossa chamada Swingers (confiram no Beatport) e tivemos muitos feedbacks positivos com ela.

Em 2010 também começamos uma parceria com a LOKIK records e abrimos uma gravadora que se chama MOVIDA MUSIC mais voltada para House e Progressive, estamos sempre lançando produtores nacionais que vem fazendo um belíssimo trabalho.

Brave: O brasileiro ainda não tem muito a cultura de comprar músicas pela internet. O que você tem a dizer sobre esse assunto, como sendo um DJ produtor? Isso te atrapalha?

Isso realmente acaba atrapalhando e foi por isso que hoje em dia surgiram milhões de novos djs. Uma música custa R$3,0 e aqui as pessoas tendem a tentar arrumar a música de graça. Acho que isso tem muito a ver com a cultura do Brasil, das pessoas sempre saírem ganhando em algo, então devem pensar, “por que pagar se eu posso pegar de graça?”. Acho que pelo menos quem trabalha com isso deveria pensar que quando ele compra uma música, ele esta pagando (pouquíssimo) pelo trabalho de horas e mais horas no estúdio que o produtor teve.

Brave: Qual lugar mais marcante que você já tocou no Brasil e no exterior?

Aqui eu adoro tocar na Anzu, sempre gostei de tocar no Sirena. Hoje em dia os clubes pequenos tem me alegrado bastante, tem muitos que eu adoro tocar. W em Bauru, Music Nuit em Manaus, Cubo em Campinas, Vive la Vie em Piracicaba, Giv em Santos e vários outros que estou sempre tocando e gosto demais.

Lá fora o lugar que eu adorei tocar foi na PACHA de Mallorca, peguei uma noite lotada e bem legal e outro lugar foi a SPACE em Ibiza onde toquei em algumas festas em parceria com a Anzu Club.

Brave: Qual o diferencial da Anzu em relação aos outros clubs?

Anzu é um big club, ela foi construída para ser um Club, desde o primeiro tijolo. Quem não se impressiona ao entrar pela primeira vez na Anzu?? Quando você entra e vê um pé-direito daquele tamanho com a estrutura que tem é de arrepiar.

Brave: Hoje em dia qualquer um pode juntar em pouco tempo um vasto repertório e tocar na noite. Todo mundo quer ser DJ, até Jesus Luz. Isso atrapalha aqueles DJs que fazem um trabalho sério de pesquisa?

Hoje em dia todos podem ser DJ, mas ao mesmo tempo não podem ter uma experiência como os verdadeiros DJs e muito menos a qualidade. O mercado vai filtrando aos poucos esses quase-DJs, porque é fácil pegar uma pista lotada e animada por alguns minutos, mas por 2 horas não.

Brave: Você é a favor da regulamentação da profissão de DJ/produtor?

Sou e não sou. Acho que no Brasil tem sacanagem em tudo que se fala de política, acho que seria legal para um reconhecimento da profissão, mas vejo que já tem pessoas querendo ganhar com isso, o que me deixa triste.

Brave: O que o Viktor Mora ouve quando está em casa e quer descansar um pouco, sem pensar com sua mente musical?

Tenho vários cd’s de Lounge. Cafe del mar, são muito bons e relex total. Gosto bastante de Seal, Jota Quest , escuto um pouco de tudo. Silêncio as vezes também é bom!!

Brave: Que mensagem você deixaria para quem está iniciando a carreira de DJ?

Tem que realmente correr atrás, pesquisar muito sobre o estilo de música que quer tocar, ver os DJs que gosta e procurar musicas deles, sets. Acho que a nossa profissão é igual as outras, quanto mais você treinar, melhor irá ficar. Porque tocar em casa é uma coisa, tocar em uma pista lotada é bem diferente, adrenalina!! Boa sorte e sucesso.

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