A evolução da moda masculina

A evolução da moda masculina

Matéria retirada do Guia Vip de Estilo 2011, escrito por Marília Campos Mello

Os estilistas nos últimos anos estão olhando para a história da moda e repetindo tendências das época dos nosso avôs. O que está em alta hoje já foi usado e consagrado em vários momentos.

Anos 30: Falidos e novos ricos

A loucura dos anos 20 termina com a quebra da bolsa de NY. A falta de dinheiro se reflete nas roupas – e só os ombros ganham destaque. É a vez das estampas e da popularização do jaquetão. Com o começo do fim da crise, surge o terno “London cut”, criado por Frederick Scholte, com cava alta e mangas largas. Porém foi o gângster Al Capone – com terno risca-de-giz, gravatas estampadas e chapéu fedora – que marcou a imagem masculina na década de 30. Época em que nasceram a camiseta Lacoste e o hábito de ir à praia sem camisa.


Anos 40: Marginais e mocinhos

A guerra traz a escassez de materiais e simplifica o guarda-roupa dos homens. O terno perde o colete, as abas do bolso e a bainha das calças, mas a batalha do estilo não está perdida. É no jazz que surge a extravagância do terno zoot, amplo, longo e com cores vivas. Enfim, são os negros e os imigrantes que vencem esse embate, pois impõem a silhueta ampla como referência para os homens dessa década. Já em Hollywood, o tempo é de paz.

Anos 50: Conservadores e rebeldes

Os 50 nascem comportados e terminam com grandes rupturas. O terno sack, com ombreiras naturais e lapelas mais estreitas, é o uniforme de trabalho da década. O estilo preppy aparece nos blazers e cardigãs da chamada Ivy League, o grupo de oito universidades americanas. São peças fortes dos anos dourados. Mas os ventos começam a soprar para longe o conservadorismo ao som de Elvis Presley e seu topete estilo teddy boy. Foi ele quem definiu o estilo rock com jaquetas de couro, jeans e gomalina. Com o passar do tempo, o astro adotou um figurino extravagante que foi marcado por diversos estilos: do western americano a um smoking de lamê dourado, que custou, na época, US$ 10 mil.


Anos 60: A ilha e continente

Foi na Inglaterra que os ternos ficaram mais justos. Quem liderou essa transformação foram os mods, jovens de classe média que adoravam bandas como The Who e The Yardbirds. Com eles vieram os ternos com tecidos mais brilhantes, os sapatos de bico fino, as lapelas e gravatas estreitas. A versão do continente para esse estilo do Reino Unido é o chamado terno continental, desenvolvido por designers como Yves Saint-Laurent e Pierre Cardin, também bem ajustado ao corpo, podendo ser de dois ou três botões, com ombreiras. Quase no fim da década entram os hippies e suas batas, colares e anéis. O mundo se rendia aos ternos justinhos, às gravatas finas e ao cabelo tigelinha dos Beatles.

 

Anos 70: Os punks e glam

A moda hippie entra em queda, mas deixa como legado o uso de roupas menos formais no dia a dia. Surge o hedonismo da era disco. Com um terno branco de poliéster justo com boca de sino, colarinho da camisa largo e pontiagudo, peito à mostra e sem gravata, John Travolta embalou a imagem da década. E ainda em resposta aos hippies e à disco, surgem os punks, que recuperam o espírito dos primeiros roqueiros, com calças justas e um estilo agressivo, determinado por camisetas rasgadas, tachas, alfinetes, tudo dentro da filosofia “faça você mesmo”


Anos 80: Os yuppies e os rappers

Os yuppies, jovens que faturam na Bolsa de Valores, investem no chamado power dressing. Há imponência nas ombreiras: quanto maior, melhor. A silhueta deixa de ser justa como nas décadas anteriores. As peças trazem um refinamento dos anos 30 e 40, com jaquetões, gravatas gráficas e suspensórios, mas a forma de usar é mais desleixada. Giorgio Armani reinventa o terno, com shape mais relaxado, sem forros e com menos ombreiras. Os negros lucram no rap. E com eles surgem as peças oversized, bem folgadas, deixando pela primeira vez a cueca aparecer como item fashion. Entre essas duas turmas, tem ainda a new wave, com tons cítricos, que brilharam durante quase toda a década.


Anos 90: Os grunges e os metrossexuais

A década de 90 faz a ponte entre a silhueta ampla dos 80 para a slim dos anos 2000. A década começa sob o barulho dos grunges. Suas bermudas e calças largas, assim como as camisas de flanela xadrez, viram uniforme de muitos jovens. Era um “não estou nem aí para roupa” que virou moda. Porém logo a música eletrônica desbanca o rock e, com os novos bpms das pick ups, vêm os tecidos tecnológicos, os preferidos dos clubbers. Saindo da pista, os ternos lucram com esses tecidos que não amassam. É também na década de 90 que surge a definição de um novo tipo de homem, o metrossexual.

Anos 2000: Alfaiataria clássica e roqueiros

Olhando para os mods e para a silhueta dos anos 60, o estilista Hedi Slimane opera uma verdadeira mudança na Dior Homme. Ele ganha reputação com seus ternos ultrajustos e faz o slim fit entrar no armário masculino. Os anos 2000 revisitaram também todas as outras décadas da moda, atualizando clássicos da alfaiataria, como o chapéu, o colete e o lenço no bolso. Essa tendência é incorporada pelas bandas de rock, com suas calças e jaquetas justas. Justin Timberlake sabe como ninguém atualizar as peças clássicas da alfaiataria.

Fonte: Guia Vip de Estilo 2011

Gustavo Menna

Sócio Fundador da Brave Menswear, organizador do evento Bate-Papo sobre E-Commerce Campinas e São Paulino de coração.

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  • Lalinha14safadinha

    ola amei isso e muito legal isso

  • Oliver

    Ótimo post. As épocas nos seus períodos certos. Bom pro pessoal parar de fazer festa dos anos 60 vestidos como nos anos 50.

  • Pedro Melo

    Ola Gustavo,
    Estou procurando um alfaiate que saiba fazer um bom terno slim fit moderno, e nao aqueles classicos que a maioria teima em fazer.
    Moro em campinas, e acredito que aqui deva ter o que eu procuro, mas tambem posso ir ate sao paulo para encontrar.
    Voce poderia me ajudar?
    Obrigado
    pedro.melorocha@hotmail.com